MUNDOBASTO MUNDOVASTO

Desde que me conheço “meia rural e pouco mais de meia urbana”, 30 anos se passaram.

Mudei de Basto (Celorico de…) para a beira Tejo (a 400km de distância) ainda lia livros da “anita”, Àgueda era ponto de passagem obrigatório e não fazia ideia ser possível alguém gostar de comer caracóis!

Ao estilo “anita”, ainda que contrariada e a morrer de saudades de tudo e de todos, vivi aventuras dignas de edições tão especiais como “arita descobre um sotaque que desconhecia ter”!

Com o tempo aprendi a distinguir os “b’s” dos “v’s”, a ser mais urbana e até a gostar de caracóis! Aos 40 regresso a Basto decidida a viver a era global meio rural meio urbana, partilhar um mundo mais basto ou vasto (dependendo de quem lê) e aprender entre outras coisas a criar um carneiro, fazer uma alheira, podar uma árvore ou mesmo a semear umas batatas… pode parecer inconcebível não saber quando e como semear umas batatas mas a verdade é que eu nunca o fiz!

Regresso a Basto determinada em fortalecer o meu lado rural e carregando na bagagem 30 anos extra tatuados por:

– outros conhecimentos e experiências;

– outras gentes e amizades para a vida e sem limites geográficos;

– uma família maior que agora se estende às Beiras ao Alentejo e até à América;

– o marketing, o desenvolvimento de conceitos, a experiência de mais de uma década em consultoria em turismo e a aposta ganha no trabalho remoto a uma escala global em prol do desenvolvimento turístico nacional;

– viagens por um mundo verdadeiramente vasto ou basto, dependendo de quem lê, sentido no ambiente vivido nos cafés arte nova e arte deco de Praga, na magia do Bósforo em Istambul ou de Gaudi em Barcelona, nos cajus acabados de tostar em pleno Parque Natural do Maranhão, na natureza que esculpiu a Capadócia, nos mojitos e na lagosta saboreada nos paladares de Havana, na surpresa do silêncio sentido no central parque em Nova Iorque, no espetáculo de montras dos Champs-Élysées em Paris, no corpo fustigado na Ilha do Sal pela tempestade de areia que contribui para o equilíbrio da floresta Amazónica, na comida japonesa ao estilo street food devorada no bairro da liberdade em São Paulo, na extensão claustrofóbica do Túnel de Mont Blanc, na leitura das gravuras do Côa, na magia intemporal do Portugal dos Pequenitos, na beleza das 4 estações na Suiça, no sabor dos oregãos, espargos, açordas e caldeiradas do Alentejo a Sagres, nas longas caminhadas pelo areal de perder de vista da Praia da Fonte da Telha, nos refrescantes mergulhos da Arrábida à Arrifana, na energia da luz de Lisboa, na paz do Ginjal em Cacilhas, no pôr do sol na aldeia de Barreiro em pleno Parque Natural do Alvão e no Tejo!

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.”

– Alberto Cheiro

p.s we will always have…

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